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Natal de praia, amigos novos que se reencontram e nunca mais se acham.
Sol de noite, ouvir rock and roll, jogar baralho e ping e pong.
Caminhar todo dia bem cedo nas areias grossas que cansam as patas.
Comer pipoca e panetone com minha família no dia 24.
Sair e se perder para tomar sorvete.

Um dos melhores Natais da minha vida 😉

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Pelo Tempo Que Durar
(Adriana Calcanhotto, Marisa Monte)

Nada vai permanecer
No estado em que está

Eu só penso em ver você
Eu só quero te encontrar

Geleiras vão derreter
Estrelas vão se apagar

E eu pensando em ter você
Pelo tempo que durar

Coisas vão se transformar
Para desaparecer

E eu pensando em ficar
A vida a te transcorrer

E eu pensando em passar
Pela vida com você

As horas de dor que me invadem ao sussurrar essa música a voz se faz mais forte e me abarca, me embarca, me leva pra longe daqui. Ela me soa uma oração, um pedido. Eu a ouço inclinada, como se estivesse me cantando, me voando e como se o Natal de luzes fosse todo um filme.

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Estrela, estrela

Estrela, estrela
Como ser assim?
Tão só, tão só
E nunca sofrer.

Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se vê.

No corpo nu da constelação
Estás, estás sobre uma das mãos

E vais e vens como um lampião
Ao vento frio de um lugar qualquer.

É bom saber que es parte de mim
Assim como es parte das manhas.
Melhor, melhor é poder gozar
Da paz, da paz que trazes aqui.

Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão
Eu canto e sei que também me vês
Aqui, aqui com essa canção.

(Vitor Ramil)

Dia desses, em um céu que não era de sampa a noite acobertava nossos cabelos de estrelas. A fogueira tão pequena, as lanternas mudamente esperavam alcançar um brilho tão só. O escuro era seguro. A estrela sendo eu a vagar no mato.

(música mandada por um amigo do sul)

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Zoar

Pingüim sem casaca
Foca com a língua no gelo
Elefantes tristes trombando por aí
Leões e gatos sem pêlo
Depois dizem que eu apelo

Zôo, vou mas quero voar

Hiena não ri mais
Raposa só ousa enfeitar
Jacaré só pra pisar
E o cachorro esquece o osso, moço
Ouço a loucura piar

Zôo, vou mas quero voar

Macacos me mordam
Camelos desertam no Paris-Dakar
Cobras evitam Adão e Eva
E a maçã podre leva veneno à multidão

Zôo, vou mas quero voar

(Badi Assad e Chico César)

Essa música bem linda cantada pela Badi Assad faz-me voar e quase que ver todos esses olhos brilhantes, esses seres que trazem o ser humano para si novamente. O cachorro que traz sua cabeça na mão, que pede sem pudor nenhum um carinho, olha atentamente os que andam, correm e se deita para brincar, e dorme ao sol está tão presente na sua vida e na minha… Ultimamente tenho a impressão de que só eles sabem quem são (e quem somos), porque seres humanos andam perdidos, sem casa, sem pele e sem som.
As pessoas riem, fotografam-se todos abraçados… mas há um trombar de elefantes que salta os poros, há um deserto e um enfeite necessário para não doer tanto a língua no gelo.

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Paciência

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida e tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós

Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (Tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para (a vida não para não)

Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,a vida não para (a vida não para não… a vida
não para)

Lenine e Dudu Falcão

Ouvi essa música pela primeira vez ao final da peça “Calendário da Pedra” da intensa e linda Denise Stoklos. A peça, que já tinha me tirado o sangue, ao final secou qualquer distração que inventa ser ao querer fugir. Ecoa no teatro, no palco, na cadeira e na folha de papel que eu segurava, ou segurava-me?

Tem tanto texto por aí falando da pressa, das pessoas correndo pelas ruas e metrô, dos olhares anestesiados… Mas olha bem, seu olhar está aí/aqui mesmo?

Canção da tarde no campo

Caminho do campo verde
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a tarde é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vai fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto,
meu peito é puro deserto.
Subo monte, desço monte.

Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.

Cecília Meireles

Li este poema no início do ano, bem lentamente. Na roda, as crianças embevecidas e eu, calamo-nos e o fim da tarde retumba.

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