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Cadê a esfinge de pedra que ficava ali
Virou areia
Cadê a floresta que o mar já avistou dali
Virou areia
Cadê a mulher que esperava o pescador
Virou areia
Cadê o castelo onde um dia já dormiu um rei
Virou areia
E o livro que o dedo de Deus deixou escrita a lei
Virou areia
Cadê o sudário do salvador
Virou areia

Areia a lua batendo no chão do terreiro
Areia o barro batido subindo no ar
Areia o menino sentado na beira da praia
Areia fazendo com a mão castelo no mar
E a onda que cerquei e que passou
Virou areia
Nasceu no mar e na terra se acabou
Virou areia

Cadê a voz que encantava multidão, cadê
Virou areia
Cadê o passado o presente a paixão
Virou areia
Cadê a muralha do imperador
Virou areia

(Lenine/ Bráulio Tavares)

Lembra, lembra…

Esquece não!

Tudo vira lixo
Tudo pode virar lixo
Carta de amor vira lixo
Conta pra pagar vira lixo
Seja como for tudo pode virar lixo
Namorado, gato, tio
Até seu pavio
Também pode virar lixo
Tudo que se acende se apaga
Fósforo se apaga
Vela, incêndio, lamparina
O olho da menina até o seu
Tudo pode se apagar
Tudo pode se acabar
E virar lixo…

(Chico Cesar/ Suley Mesquita)

A Ceumar cantando essa música faz cada frase ser leve… Lembrar que “tudo pode se acabar” é importante e nos faz alerta para cada passo, cada dança, cada sol e cada chuva que ainda não chegou.

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 “Viver não tem volta
O dia de amanhã chegou
A culpa é de todo mundo
O rio não sabe onde vai
Que versão da verdade
Se o chão rachar o teto cai
Vivo de morrer
Deixar de ser pra deixar ser
Crescer dói
Perder liberta
De comerciante sem troco todo mundo tem um pouco
Não faço direito
Faço do meu jeito
O olho não se enxerga
O olho reflete o que vê
O avesso do espelho é você
Fecha os olhos e manda ver
.”

(Arnaldo Antunes)

E cada dia que passa é o avesso do que a criatura imagina de si. Ontem parece neblina de chuveiro, hoje as mãos embaçam a letra que pensa escrever amanhã… Tudo faz-se na gota que cai no banho quente e embala o feto que me é. A estrada não tem fim, olha bem longe… o começo não se vê. Ele não existiu, nem a estrada, nem meus pés. Eu sonhei caminhos de pés enevoados. Anda não. Dança.

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Fernando Anitelli diz “minha vida inteira, é meu dia inteiro” e olhando o chão que fotografei dias há poucos (quando ainda tinham muitas flores fazendo um tapete roxo pela calçada paulista), tive a impressão de que meu passado mudou, assim, por instantes… Olhei esse chão no qual passo há 2 anos todos os dias para ver sorrisos, abraços, choros e gritos de crianças. Quantas coisas pisamos ali? Quantas pessoas, crianças, passaram brincando assim sem reparar que o chão era todo o universo naquele passo. Teve um dia que choveu, teve um dia que não sabia a direção, teve dia de pressa (pra chegar ou ir), teve dia de esperar a rua passar.

E passou.

(Comecei a escrever dançando/ouvindo/correndo nessa música, cantada pela Clara Nunes, linda, lindamente…)

Basta Um Dia

Pra mim basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia

Me dá só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia

Só um belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor na orgia
Da luz do dia

É só o que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

Só um santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se come e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor na orgia
Da luz do dia

É só o que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

Chico Buarque

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