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Qual a sensação de um abraço bem apertado? Um beijo estalado? Um monte de mãozinhas (a única de adulto é minha) juntas? Um olhar que sorri? Uma mão que toca o braço e parece que abraça? Qual a sensação (nada de piegas, por favor!) de uma canção entoada com várias bocas?  De dançar sem esperar? De ter um cafuné? De ter os cabelos penteados (ou despenteados…rs) por dedos? De ter uma resposta? De ser uma pergunta? De dizer “tudo bem” e realmente se importar?

E cada motivo é tão imenso e intenso que me perco no abismo de ser humano. Ou tentar?

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Fernando Anitelli diz “minha vida inteira, é meu dia inteiro” e olhando o chão que fotografei dias há poucos (quando ainda tinham muitas flores fazendo um tapete roxo pela calçada paulista), tive a impressão de que meu passado mudou, assim, por instantes… Olhei esse chão no qual passo há 2 anos todos os dias para ver sorrisos, abraços, choros e gritos de crianças. Quantas coisas pisamos ali? Quantas pessoas, crianças, passaram brincando assim sem reparar que o chão era todo o universo naquele passo. Teve um dia que choveu, teve um dia que não sabia a direção, teve dia de pressa (pra chegar ou ir), teve dia de esperar a rua passar.

E passou.

(Comecei a escrever dançando/ouvindo/correndo nessa música, cantada pela Clara Nunes, linda, lindamente…)

Basta Um Dia

Pra mim basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia

Me dá só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia

Só um belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor na orgia
Da luz do dia

É só o que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

Só um santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se come e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor na orgia
Da luz do dia

É só o que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

Chico Buarque

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As nebulosas são um monte de poeira e gás no espaço interestelar, dizem por aí… Fico por aqui a pensar: parece uma grande bagunça, parece a casa desarrumada, parece a minha bolsa 😉 parece a  cidade, parece aí fora, parece aqui dentro…

E é quase bonito essa bagunça, afinal eu me acho bem nela, quase digo por onde começa! Mas dependendo da bagunça é uma que não se quer olhar, se quer longe, se quer fingir que “não é tão…” e faz uma boa manobra para não olhá-la de frente.

Sabendo que algumas nebulosas são os lugares nos quais algumas estrelas nascem, posso sorrir ao abrir a bolsa. Mas, sabendo também que algumas nebulosas podem ser a morte de uma estrela, dá um nó não achar a chave de casa.

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(Explosão) 

“De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulisses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo – em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser humano.”

Clarice Lispector, em Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres.

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