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felicidade

“Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos”

(Moska)

A sensação do eterno retorno tem-se feito tão presente, sinto um vai-e-vem constante, tal qual o balanço do parque. A fuga, a mordida, a risada, a piada…
Mas tem uma diferença! Tem um olhar de girassol, um olhar amarelo mesmo, olhar de sol, quente que derrete esse frio nascente de inverno.
E nada romântico ou poético! Acontece sempre igual, a ânsia, a música alta, porque as dores e risos são do mesmo filme. É que… agora tenho a sensação de ver esse filme… e chega a ser engraçado.
Ver-se, rir-se, desfazer-se, ter-se, ser-se…

pateo

The heart is a bloom, shoots up through the stony ground
But there’s no room, no space to rent in this town
You’re out of luck and the reason that you had to care,
The traffic is stuck and you’re not moving anywhere.
You thought you’d found a friend to take you out of this place
Someone you could lend a hand in return for grace

It’s a beautiful day
The sky falls and you feel like it’s a beautiful day
Don’t let it get away

You’re on the road but you’ve got no destination
You’re in the mud, in the maze of her imagination
You love this town even if that doesn’t ring true
You’ve been all over and it’s been all over you

It’s a beautiful day
Don’t let it get away
it’s a beautiful day

Touch me, take me to that other place
Teach me, I know I’m not a hopeless case

See the world in green and blue
See China right in front of you
See the canyons broken by cloud
See the tuna fleets clearing the sea out
See the bedouin fires at night
See the oil fields at first light and,
See the bird with a leaf in her mouth
After the flood all the colours came out

It was a beautiful day
Don’t let it get away
Beautiful day

Touch me, take me to that other place
Reach me, I know I’m not a hopeless case

What you don’t have you don’t need it now
What you don’t know you can feel it somehow
What you don’t have you don’t need it now
You don’t need it now

Was a Beautiful day…

(U2)

A rua que era tribo.

Imensidão. Borbulhos de gentes, perfumes escuros, passos largos e discretos.

A história que se faz/fez ao caminhar pelos rios/ruas se descortina no céu cinzento, nascendo azul. As igrejas cheias ecoam o silêncio da São Paulo de Piratininga. O bonde rasgando leste/oeste, os cavalos a motor. Olha longe.

O rio que transborda e carrega-nos. Nus.

bonde

silencio
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

(Clarice Lispector – Dá-me tua mão)

O dia acorda um tanto desajeitado, nublado e insípido… estranhamente o corpo pesa e dá forma ao primeiro esticar de mãos na cama vermelha. A noite fora coberta de sonhos velozes e em sépia.

Em volta, ouve-se a ânsia de querer ser sombra.

Na volta, o silêncio aguarda qualquer cor.

Parto

Parto…

A poesia prevalece

A poesia prevalece

Primeiro senso é a fuga.

Bom na verdade é o medo,

dai entao a fuga.

Evoca-se na sombra uma iquietude,

uma alteridade disfarçada

inquilina de todos nossos risos.

A juventude plena e sem planos se esvai.

O parto ocorre.

parto-me

parto-me

parto-me

parto-me

Aborto certas convicções

a bordo deminios e munias

Flagelo-me

Exponho cicatrizes

E acordo os meus com muito mais cuidado, muito mais atenção

E a tensão que parecia nunca não passar,

o ser vil que passou para servir para disservir,

harmonizar o tom, movimento som toda a terra que devo do ar

todo o voto que devo parir não dever ao de vir,

nunca deixar de ouvir com outros olhos…

com outros olhos…com outros olhos…

(Teatro Mágico)

Nascemos! Deixa entrar, respira a cor do mundo…

Bem vindos de volta!


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“… uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”

(Clarice Lispector – Uma aprendizagem…)

é isso.

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