“A filha deve lamentar-se. Fico perplexa com o fato de que as mulheres hoje em dia chorarem tão pouco e, quando o fazem, procuram justificativas. Fico preocupada quando a vergonha ou o desábito começam a eliminar uma função natural. Ser árvore florida e estar cheia de seiva é essencial, se não você pode se quebrar. Chorar faz bem, e é certo. Chorar não cura o dilema, mas permite que o processo continue em vez de entrar em colapso. E agora, a vida da donzela como era até então, sua compreensão da vida até esse ponto, terminou, e ela desce para outro nível do mundo oculto. E nós continuamos a acompanhá-la. Prosseguimos, mesmo nos sentindo vulneráveis e tão desprovidas de proteção do ego quanto uma árvore cuja casca foi arrancada. No entanto, temos poder já que aprendemos a atirar o diabo para o outro lado do quintal.

A essa altura percebemos na nossa vida que, não importa o que façamos, os planos do nosso ego fogem das nossas mãos. Haverá uma mudança na nossa vida, uma das grandes, independente dos belos planos que o ego maestro-temperamental tenha para o próximo movimento. Nosso próprio destino poderoso começa a governar nossa vida – não o moinho, não a vassoura, não o sono. Acabou-se a vida como a conhecíamos. Desejamos ficar sozinhas, talvez que nos deixem em paz. Não podemos mais confiar na cultura paterna dominante, estamos envolvidas com o primeiro aprendizado da nossa vida verdadeira. Persistimos.

Essa é uma época em que tudo que valorizamos perde sua graça.”

(Clarissa Pínkola Estés)

A coragem de olhar bem no fundo dos olhos e dos poros ainda assusta, ainda faz hesitar entre uma chuva e outra.

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