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“A maior dor do vento é não ser colorido”

(Mario Quintana)

Hoje o dia se fez azul, tão azul e tão quente, que me pareceu uma provocação ao dia de ontem que se molhou, e adormeceu frio. O vento veio balançar os brincos e cabelos, veio brincar de jogar ameixas e folhas secas nos pratos e copos de sucos, veio se fazer presente de forma indecente na saia rodada.

O vento que trouxe a chuva de quinta, que levou as nuvens para outro lugar, que soprou mansinho nos braços não foi visto, tampoco, notado. Via-se o colorido da saia, do brinco, via-se a ameixa engraçadinha.

E o vento veio, se foi, volta e vai, brinca, sacode, silencia, dança, balança, silencia… faz e faz voltas até ser percebido.

Ele vem contar da mudança permanente, da cor e da não-cor, da chuva e do sol, do silêncio e do som e da dança suspensa na minha respiração e na sua.

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