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“Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.”

(Carlos Drummond de Andrade)

E surge uma pedra de fogo no centro do corpo, que resfria cada parte do sangue. O frio invade, a boca bate, os pelos voam e os olhos tremem.

Respira devagar e longamente.

A pedra poderia ter nome? Dor, culpa, raiva… ou qualquer outra coisa que me definhe.

Respira devagar e longamente.

O vento cobre o abismo aberto e acarinha a ferida aberta.

Respira devagar e longamente.

O abismo é a pedra, o centro do corpo, o sangue, o frio, a lágrima, o beijo, a água, o riso, a dor, o calor, o medo.

Respira, devagar e longamente.

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