velhice-na-bahia-site

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

(Poema de Natal – Vinicius de Moraes)

Lê-se, fala-se, intui-se, sabe-se que no natal comemoramos o nascimento. Pensei que a imagem de uma criança nos remete, inevitavelmente, ao nascimento. Mas e a imagem de uma pessoa mais velha?

Ela também não nasce? Agora?

Feliz Nascer, Renascer…Se ser!

(esse poema do Vinicius me cala, se cala, acalanta…)

 

Anúncios