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 “Viver não tem volta
O dia de amanhã chegou
A culpa é de todo mundo
O rio não sabe onde vai
Que versão da verdade
Se o chão rachar o teto cai
Vivo de morrer
Deixar de ser pra deixar ser
Crescer dói
Perder liberta
De comerciante sem troco todo mundo tem um pouco
Não faço direito
Faço do meu jeito
O olho não se enxerga
O olho reflete o que vê
O avesso do espelho é você
Fecha os olhos e manda ver
.”

(Arnaldo Antunes)

E cada dia que passa é o avesso do que a criatura imagina de si. Ontem parece neblina de chuveiro, hoje as mãos embaçam a letra que pensa escrever amanhã… Tudo faz-se na gota que cai no banho quente e embala o feto que me é. A estrada não tem fim, olha bem longe… o começo não se vê. Ele não existiu, nem a estrada, nem meus pés. Eu sonhei caminhos de pés enevoados. Anda não. Dança.

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