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Zoar

Pingüim sem casaca
Foca com a língua no gelo
Elefantes tristes trombando por aí
Leões e gatos sem pêlo
Depois dizem que eu apelo

Zôo, vou mas quero voar

Hiena não ri mais
Raposa só ousa enfeitar
Jacaré só pra pisar
E o cachorro esquece o osso, moço
Ouço a loucura piar

Zôo, vou mas quero voar

Macacos me mordam
Camelos desertam no Paris-Dakar
Cobras evitam Adão e Eva
E a maçã podre leva veneno à multidão

Zôo, vou mas quero voar

(Badi Assad e Chico César)

Essa música bem linda cantada pela Badi Assad faz-me voar e quase que ver todos esses olhos brilhantes, esses seres que trazem o ser humano para si novamente. O cachorro que traz sua cabeça na mão, que pede sem pudor nenhum um carinho, olha atentamente os que andam, correm e se deita para brincar, e dorme ao sol está tão presente na sua vida e na minha… Ultimamente tenho a impressão de que só eles sabem quem são (e quem somos), porque seres humanos andam perdidos, sem casa, sem pele e sem som.
As pessoas riem, fotografam-se todos abraçados… mas há um trombar de elefantes que salta os poros, há um deserto e um enfeite necessário para não doer tanto a língua no gelo.

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