Isadora Duncan conta que esse quadro foi uma das inspirações para sua dança, além do “desabrochar das flores, o vôo das abelhas e o dourado alegre e gratuito das laranjas e a papoula da Califórnia” (trecho do livro) e se definia como “uma expressionista da beleza.”.

A declaração de Isadora trouxe-me umas danças, umas danças dos anos idos de ballet, de moderno, de laboratórios aos 9 anos, de contato e improvisação, de afro, de salão… Tantas pernas e braços dançando, buscando um olhar que nasce no espelho, mas que só enxerga mesmo se nada tiver. O corpo que dói e grita, o suor que pinta a face rosada de se permitir só ser dançante.

Meu pai me disse hoje: “dançar faz parte do seu ser”, essa semana uma criatura bonita pensou em mim ao ler este poema:

Canção da Primavera

Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Catavento enlouqueceu,
Ficou girando, girando
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até
Não mais saber-se o motivo…

Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!

(Mario Quintana)

Parece-me que todos estão a dançar, quem fala, quem lê, quem toca, quem canta, quem silencia, quem chora e quem ri. O universo todo dança e gira continuamente, as infintas coreografias que improvisamos ao conhecer alguém, as danças que só existiram naquele instante, naquele corredor, naquela sala, naquela rua… E os aplausos que cessam e a cortina que cai. Todo o mundo dança 😉

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