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Fernando Anitelli diz “minha vida inteira, é meu dia inteiro” e olhando o chão que fotografei dias há poucos (quando ainda tinham muitas flores fazendo um tapete roxo pela calçada paulista), tive a impressão de que meu passado mudou, assim, por instantes… Olhei esse chão no qual passo há 2 anos todos os dias para ver sorrisos, abraços, choros e gritos de crianças. Quantas coisas pisamos ali? Quantas pessoas, crianças, passaram brincando assim sem reparar que o chão era todo o universo naquele passo. Teve um dia que choveu, teve um dia que não sabia a direção, teve dia de pressa (pra chegar ou ir), teve dia de esperar a rua passar.

E passou.

(Comecei a escrever dançando/ouvindo/correndo nessa música, cantada pela Clara Nunes, linda, lindamente…)

Basta Um Dia

Pra mim basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia

Me dá só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia

Só um belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor na orgia
Da luz do dia

É só o que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

Só um santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se come e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor na orgia
Da luz do dia

É só o que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

Chico Buarque

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