Cantou Tim Maia “chocolate, chocolate, eu só quero chocolate!” E que vontade de gritar: “eu só quero chocolate!” Derretido ou não, amargo ou bem doce, crocante, com avelãs (hum) trufado… ô cacau bom demais! Parece-me que o chocolate na boca é quase um abraço na alma. Um gosto quase inexistente, para permitir todo sabor. Uma textura quase imperceptível, para permitir toda sensação. Um cheiro quase inodoro, para liberar os pulmões e mergulhar no marrom.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Fernando Pessoa

No filme ” Chocolate” a vitrine fantástica e desejante enfeitiça os passantes. A dona da loja, além de confeitar as delícias de chocolate de um jeito quase erótico, é capaz de adivinhar o preferido de cada freguês. As cenas de chocolates escorrendo pra dentro da boca dos clientes e seus olhos sentindo um abraço na alma toda… Hum… eu só quero chocolate!

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